Chácara Monte Alegre - São Paulo, SP
Pela primeira vez em seis décadas, uma das obras-primas do arquiteto João Batista Vilanova Artigas — encomendada pela grande demógrafa brasileira Elza Berquó — chega ao mercado imobiliário, depois de permanecer, por toda uma vida, sob o mesmo teto e a mesma família. Mais do que um imóvel, um patrimônio vivo que transborda história, paz e realização.
A localização é um dos fatores mais especiais. Na Chácara Monte Alegre, em rua fechada de arborização densa, a casa faz divisa direta com a Chácara Flora, uma das áreas verdes mais preservadas da zona sul de São Paulo. Aqui, a cidade fica para trás e o horizonte se abre em verde, luz e silêncio — um contato com a natureza raro para quem vive na metrópole. Cada manhã começa com o canto dos pássaros, cada tarde convida a um respiro de paz, cada noite se encerra em serenidade.
O partido arquitetônico organiza toda a residência ao redor de um pátio interno coberto por uma claraboia de vidro operável. A laje de concreto armado repousa sobre quatro troncos de árvore no lugar de colunas convencionais — solução que deu à casa seu apelido: Casa dos Troncos. É como se a própria natureza sustentasse o lar, e a luz do dia descesse suave sobre cada ambiente, mudando de tom a cada hora, guiando o ritmo do dia como quem segue a bússola do sol. Pela manhã, luz dourada; ao entardecer, tons de mel; à noite, o céu estrelado emoldurado pelo vidro.
Sem corredores, a casa principal flui em continuidade: a área social se conecta ao vestíbulo e aos ambientes íntimos que contornam o pátio sem compartimentação rígida. Cada espaço respira o seguinte, e o olhar viaja livre — da sala ao verde, do verde ao céu. A sensação é de amplitude, de liberdade, de um lar que acolhe sem cercar. Na década de 1980, o próprio Artigas assinou um anexo no terreno ao lado, ampliando a área social com piscina e espaço de convívio — um diálogo entre gerações do mesmo arquiteto, que transformou a casa em um convite permanente ao bem-estar.
São três suítes — duas na casa principal e uma no anexo —, varanda, lavabo, closet, despensa, lareira e piscina privativa, além de quatro vagas de garagem. Tudo em 723 m² de área útil sobre um terreno de 1.105 m². Cada cômodo foi pensado para o conforto e a conexão com o entorno, em um equilíbrio raro entre arquitetura de autor e vida cotidiana.
Integrante do conjunto de nove obras do arquiteto tombadas pelo CONPRESP, esta residência carrega a chancela da singularidade: um legado que une o valor histórico à experiência de habitar. Viver aqui é despertar todos os dias dentro de uma obra de arte — onde a arquitetura de autor encontra o bem-estar de quem a habita, e cada detalhe convida à paz, à longevidade e à realização. Um porto seguro onde cada dia começa e termina em harmonia.
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